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Museu Monsenhor Estanislau Wolski recebeu a primeira visita de 2018

Grupo de turistas de São Paulo realiza roteiro pelas Missões e esteve em Santo Antônio na manhã desta terça

02 de janeiro de 2018 às 11:38
Museu Monsenhor Estanislau Wolski recebeu a primeira visita de 2018
Grupo visitou o museu no roteiro de visitas na região missioneira (Foto: Rogerio Morais)

Na manhã desta terça-feira (2) o Museu Estanislau Wolski recebeu turistas de São Paulo integrantes de uma excursão que realiza roteiro no interior do Rio Grande do Sul.

O grupo composto por 38 pessoas está no Estado já há alguns dias, tendo passado a virada do ano na cidade de São Miguel das Missões. Várias regiões já foram visitadas, a intenção é passar pelos principais municípios integrantes da Rota Missões. Segundo a agente de viagem Ana Catarina Klotz este é o terceiro ano que é realizada a viagem e trata-se de um roteiro diferente, espetacular e emocionante no interior do Rio Grande do Sul, oportunidade de conhecer uma das mais belas regiões brasileiras. Segundo o guia turístico Claudio Reinke, o grupo ainda visitará São Borja e Santo Ângelo antes de encerrar o itinerário nas Missões.

Eliana que é moradora de São Vicente no litoral paulista e integra o grupo, disse que a viagem é uma realização de um sonho, porque estudava e buscava conhecer as questões históricas dessa região, nós somos um grupo de terceira idade e costumamos viajar juntos, mas este roteiro está sendo diferente e interessante especialmente por termos a oportunidade de conhecer a história do Brasil que as vezes deixamos de lado, infelizmente. Disse.
 
A turista disse ainda que o Sítio Arqueológico de São Miguel, o qual percebe estar sendo preservado de maneira eficiente ao contrário de vários patrimônios histórico-culturais no Brasil e que chama atenção pela beleza e carga histórica, o espetáculo de Som e Luz e a hospitalidade dos gaúchos são pontos de destaque quando perguntado sobre o que haviam chamado sua atenção nos lugares visitados. Sobre o museu Eliana afirmou ser muito bonito e alegrou em ver que está sendo preservado, destacou que as imagens são de uma grande riqueza e enaltecem muito Santo Antônio das Missões.
 
Museu Monsenhor Estanislau Wolski
 
O museu Monsenhor Estanislau Wolski reúne imagens remanescentes da cultura material das Missões jesuítico-guaranis, são 73 imagens missioneiras dos séculos XVII e XVIII, é considerado um dos mais importantes museus de arte barroca jesuítica do Brasil. Está localizado em Santo Antônio das Missões, foi criado por lei municipal e sua inauguração aconteceu em cinco de novembro de 1977.
 
(Foto: Tardelli Portela)
 
 
O principal responsável pela idealização do museu foi o Padre Olmiro Edmundo Hartmann, estudioso das Missões, autor do livro Nossa Herança Guarani, editado pela gráfica A Notícia, que durante anos reuniu as imagens no seu oficio de pároco na Igreja Católica do município. Segundo informações de moradores, é provável que o acervo seja fruto da coleta feita em fazendas, pois os antigos donos de sesmarias e povoadores da região conhecida como Rincão do Camaquã recolhiam tais imagens e guardavam sob seus domínios adornando capelas e oratórios domésticos. Outra possibilidade, é que essas imagens foram ofertadas por índios remanescentes das reduções que conviviam com as famílias dos sesmeiros. O fato é que as peças foram resistindo ao tempo, e que o Padre Olmiro foi reunindo as imagens nas oportunidades em que participava das atividades da igreja e das festas da comunidade, tendo inclusive em várias ocasiões realizado campanhas para formar o museu.
  
O período em que foram produzidas essas imagens não é certo, no entanto acredita-se que foram esculpidas no período reducional posterior a expulsão da ordem dos jesuítas quando a tutela foi transferida aos dominicanos, franciscanos e mercedários até o início do século XIX, quando as reduções passam definitivamente ao domínio português e são concedidas as primeiras sesmarias. A origem missioneira das peças é assegurada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) através da procedência, da técnica e dos materiais utilizados.
 
Feito de pedra itacurú o prédio que abriga o museu foi inspirado nas habitações dos índios missioneiros, conhecida também como pedra cupim, é a rocha de onde se extraiam os minérios e se forjou o ferro missioneiro, foram retiradas da antiga capela São João, uma pequena redução guarani que servia de ponto de apoio para as grandes reduções no Itaroquem, interior do município. O Padre Olmiro sugeriu o nome de Estanislau Wolski porque este havia sido um padre que era admirador e pesquisador do povo guarani que eram em maioria os habitantes da região das missões. O religioso pesquisou e descobriu o Caaró, deu as primeiras indicações para se encontrar o lugar do martírio dos Padres Roque Gonzáles e Afonso Rodrigues.
 
O Museu Monsenhor Estanislau Wolski faz parte do roteiro de visitação em locais que abrigam peças produzidas durante o período das reduções jesuíticas, conhecido como Circuito das Imagens Missioneiras, onde é possível conhecer a complexidade e a peculiaridade da fusão da cultura guarani com a européia e caracteriza-se como patrimônio cultural de Santo Antônio das Missões.
 
 
 

Por Rogerio de Santis Morais

Fonte: Grupo Fronteira Missões