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Candidatura própria divide lideranças do PP

Partido enfrenta dilema entre ter candidato a governador e ser vice

12 de março de 2018 às 09:43
Candidatura própria divide lideranças do PP
Candidatura própria divide lideranças do PP | Foto: Luis Macedo / Câmara dos Deputados
É tensa a situação no PP em função da pré-convenção agendada para 24 de março, na qual o partido se prepara para indicar candidato próprio ao governo do Estado. O aumento da pressão ocorre porque o lançamento de um nome para a cabeça de chapa, movimento tradicional entre partidos para ganhar peso em negociações pré-eleitorais, acabou ganhando força através das articulações do deputado federal Luis Carlos Heinze, que se apresentou para concorrer e, desde então, percorre o Estado para angariar apoio. No dia 24, ele disputará a prévia do partido com o advogado Antônio Weck. Internamente, no PP, é consenso que Heinze vai obter a maioria dos votos e ser o pré-candidato.
 
O problema é que uma parte dos que apoiam o deputado considera que, ao endossar seu nome para a corrida ao governo gaúcho, o PP caminha para uma chapa pura. E isso o grupo não quer. Os motivos: menos tempo de TV, dificuldades em angariar votos entre o eleitorado urbano, enfrentamento de acusações de radicalização à direita e possibilidade de que os pontos negativos respinguem na candidatura da senadora Ana Amélia Lemos à reeleição.
 
Ainda mais preocupada está a ala progressista que desde o ano passado trabalha para fechar uma aliança com o PSDB, tendo o tucano Eduardo Leite como o candidato ao governo. Estrategistas do partido consideram que uma forma de apaziguar todos os lados seria o PSDB oferecer a Heinze a vaga de vice, além da primeira (e talvez única) vaga da chapa ao Senado para Ana Amélia, já reservada. Eles admitem, no entanto, que há muitos entraves. Entre eles, não apenas a convicção com que Heinze assegura sua disposição para o posto. Segundo os progressistas, Leite tem forte resistência a fazer dobradinha com o deputado. Em menor medida, o mesmo se daria com Ana Amélia.
 
De público, o deputado federal e a senadora do PP marcam posição, mas evitam críticas diretas. “O deputado Heinze é de alta qualidade, identificado com o setor da agropecuária, tem um serviço extraordinário prestado a esse setor e foi o mais votado. Não se trata de discutir a eleição para o governo, e sim de fazer um alerta, já que a coligação está associada à escolha do candidato que vamos fazer, e as alianças serão fundamentais. Só alcançamos o que alcançamos em 2010 e 2014 porque tivemos alianças consistentes”, argumenta Ana Amélia.
 
 
“A base quer candidatura própria e eu sou candidato. Se o partido quiser fazer (a coligação apoiando outro candidato) eu não vou participar desse processo. Por que o PP tem que ser vice de alguém? Sempre um puxadinho do PMDB, um puxadinho do PSDB. O PMDB terá candidato a governador com ou sem aliança com o PP. O PSDB colocou candidato e só vai nessa condição. Meu projeto é para a frente. Para trás eu não volto”, assegura Heinze. Sobre a eventual preferência da senadora e outras lideranças por outra composição, o parlamentar resume. “Eu sei, tá bem. Mas ela disse que vai respeitar a vontade do partido. E eu vou também. Se o partido disser não, ok, tchau.”
 
Cúpula admite clima tenso
 
A tentativa de construir uma solução de consenso no PP ocupa lideranças partidárias e se intensificou na última semana. O presidente estadual, Celso Bernardi, trabalha para diminuir a tensão e preservar a unidade. “A posição majoritária do partido é pela candidatura própria. O presidente, independente do que pensa, tem que seguir a vontade majoritária. O que decidirmos agora, vamos procurar ratificar na convenção, é evidente. E é evidente também que nenhum partido resolve sozinho os problemas do Rio Grande”, afirma.
 
“A candidatura própria é uma vontade das bases, e a definição do nome facilita a busca de alianças”, avalia o deputado federal Jerônimo Goergen. “Os prefeitos estão com muito cuidado no sentido de que a candidatura própria tenha musculatura junto com outros partidos. É fato que a chapa pura diminui as chances”, admite o presidente da Associação de Prefeitos e Vices do PP e prefeito de Pantano Grande, Cássio Soares.
 
Prefeitos e vices da sigla formaram uma comissão para auxiliar nas negociações porque, admitem líderes do PP, o clima não é bom e, apesar da diplomacia pública, as diferenças entre a senadora Ana Amélia e o deputado Luís Carlos Heinze estão “pesando”. Chegou a ser cogitada a possibilidade de que a formalização do convite do PSDB para coligação fosse apreciada no dia 24. Mas o assunto não está na pauta e, em tese, deveria passar antes pelo diretório.
 
Parte das lideranças estuda uma forma de condicionar a candidatura própria ao compromisso com a formação de alianças consistentes em um prazo determinado e, caso elas não se concretizem, o partido aceitar uma composição sem ocupar a cabeça de chapa.
 
 
Aliança comprometida
 

Na prévia do dia 24, cerca de 3 mil pessoas vão votar, entre prefeitos, vereadores, presidentes de diretórios e delegados. Antes disso, no dia 15, termina o prazo estipulado pelo próprio PP para deixar o governo de José Ivo Sartori (PMDB). No partido, há o temor de que, após não obter sucesso em suas iniciativas para tirar Eduardo Leite (PSDB) da disputa, e vendo a base encolher, o PMDB, na reta final antes da pré-convenção do PP, trabalhe duro para incentivar a candidatura de Heinze e minar uma possível aliança com o PSDB. Reservadamente, a alternativa é considerada por peemedebistas, que admitem que uma aliança PP-PSDB poderia tirar o PMDB do segundo turno da eleição. 

Fonte: Correio do Povo