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Delegado comenta crimes ocorridos na região e conquistas da Delegacia

Rogério Junges destacou trabalho realizado em 2018 pelos servidores de Santo Antônio das Missões, Garruchos e Bossoroca

11 de janeiro de 2019 às 10:06
Delegado comenta crimes ocorridos na região e conquistas da Delegacia
(Foto: Jessica Ourique / Grupo Fronteira Missões)

No Programa Conversa Aberta da Rádio 89,1 FM da quinta-feira, dia 3, participou o delegado titular de Santo Antônio das Missões, Rogério Junges. No programa foi abordado sobre criminalidade e o trabalho da Polícia Civil perante a sociedade durante o ano de 2018.

Rogério atende na Delegacia de Polícia Civil de Santo Antônio das Missões, Garruchos e Bossoroca e afirma que procura uma vez por semana atender esses dois municípios vizinhos, os quais tem apenas um policial civil lotado e destacou que todo o trabalho que a Polícia Civil desempenha é realizado pela equipe como um todo, até porque a equipe de Santo Antônio auxilia no trabalho que é realizado nos outros dois municípios.

Referente ao trabalho realizado em 2018, o delegado disse que durante os dez meses à frente da Delegacia de Polícia de Santo Antônio foram realizadas diversas atividades, entre elas destacam-se três crimes mais graves, que exige uma investigação mais detalhada, como os dois homicídios, um em Garruchos e outro em Santo Antônio das Missões e um feminicídio em Bossoroca, crimes esses já com o inquérito concluído e encaminhado ao Judiciário. Rogério também evidenciou que no ano de 2018, em Santo Antônio das Missões, foram cumpridos 36 mandados de busca e apreensão, 22 prisões, dentre elas, preventiva, temporária e flagrante relacionadas ao tráfico de drogas, abigeato, posse de armas e furtos qualificados e ainda cerca de 300 testemunhas ouvidas. Ainda informou que esses dados não representam todo o trabalho da categoria, pois tiveram várias representações por quebra de sigilo bancário e telefônico buscando recuperar objetos furtas e apoio em operações policias em outros municípios da região.

Sobre as críticas que muitas vezes recebem quando há prisão e soltura de indivíduos e, períodos curtos, ele falou que a prisão só é realizada através da necessidade e da gravidade do crime e que o “prende, solta” só se dá porque a legislação permite, pois a decisão de prender ou dar liberdade não é da Polícia, há leis que precisam ser seguidas.

Rogério destacou a importância do apoio da Brigada Militar, dizendo que o trabalho que a Polícia Civil desenvolve em Santo Antônio e Bossoroca, muitas vezes se dá em decorrência de uma ação feita pelos brigadianos. Afirmou que essa união fortalece o trabalho, especialmente, em Bossoroca, considerando que a delegacia tem apenas um policial civil e na hora do trabalho da rua, a Brigada Militar dá o suporte para que ele possa desempenhar suas obrigações.

Questionado se há muitas variações em relação ao números quando comparado os três municípios, o delegado informou que sim, pois quanto maior o número policiais, consequentemente, maior o índice de atividades. – “Garruchos e Bossoroca, devido ter apenas um policial, evidentemente, que o número de atividades desenvolvidas é menor, mas tem diferença sim, até em relação ao tamanho do município, e em Garruchos, o problema maior é o furto abigeato. Mas em razão de os índices de criminalidade serem razoáveis, conseguimos desenvolver um trabalho a contento”, disse. Em relação aos índices criminais, ele ainda fez um comparativo com Giruá, sendo que Santo Antônio não teve mil ocorrências, e em Giruá, passou de duas mil.

Durante a entrevista, o delegado falou um pouco sobre o trabalho de policial civil, especialmente, o preparo psicológico, ou seja, a necessidade e importância de não envolver emoções nos casos, e sim ter um olhar meramente de investigador muito técnico não permitindo a absolvição emocional do fato, e falou que parte deste preparo de ser um pouco rígido ocorreu no Exército, – “hoje consigo fazer a separação muito naturalmente, seja a vítima ou fato que for e isso facilita muito no desempenho do trabalho ” disse Rogério. Também destacou um caso que ficou marcante em sua trajetória, sendo que foi quando ele trabalhava na cidade Santo Ângelo, onde aconteceu um duplo homicídio, ou seja, o assassinato de um casal, na frente da filha e o trabalho da investigação muito intenso, pois não havia nenhuma testemunha, foi uma investigação meticulosa. Rogério ainda destaca um Policial Civil que trabalhou junto na investigação, chegou até os autores do crime depois de quatro meses de intensa investigação.


Sobre os crimes mais cometidos a nível regional, informou que o mais comum é o furto a residência, furtos em propriedades particulares e outro é o furto abigeato devido a região ser de grande criação de cabeças de animais, no entanto ponderou, que hoje houve uma diminuição no índice do abigeato devido a criação da Patrulha Rural, pois com a circulação da viatura, demonstra que a segurança no campo está presente, inibindo a ações criminosas, dando uma sensação de segurança para as famílias e facilitando qualquer relato de moradores com a aproximação da comunidade com a polícia, relatos que que acabam auxiliando no trabalho de combate aos crimes rurais.

Já na parte do feminicídio, Rogério traz um índice de que no Brasil, em 2017 segundo a Organização Mundial de Saúde, foram 4.539 mortes de mulheres, sendo 1.133 feminicídios, esses dados representam a morte de uma mulher a cada duas horas, deixando o país na 5ª posição no ranking de casos de feminicídios. Ele trouxe em pauta a lei Maria da Penha, e que em sua opinião, em muitos municípios é falha, pois se a mulher decidir fazer o registro, em muitos casos não tem um familiar próximo e então não tem onde recorrer, ficando exposta a riscos, mesmo com as medidas protetivas, ou seja, essa insegurança que todos vivenciam faz com que muitas mulheres não realizem o registo, pois sentem que não estarão totalmente seguras, mas também há a dependência econômica, medo da repressão, o que as leva a ficarem caladas, submetidas à violência, resultando nesses números de mortes.

O delegado Rogério ainda destacou algumas conquistas da Polícia Civil no ano de 2018, que através do bom relacionamento que tem com o Ministério Público (MP) e com a Prefeitura Municipal, foram beneficiados com um servidor da prefeitura, que irá se dedicar ao trabalho administrativo, bem como, com o apoio do MP foi feita a troca dos móveis, e através do Poder Judiciário com os valores das penas alternativas, ou seja, as multas que os acusados pagam no Juizado Especial Criminal no Fórum, relativas ao delito que cometeram, foi conseguido um numerário para fazer o monitoramento interno e externo da delegacia, uma impressora colorida para se ter mais detalhes na impressão de materiais que exigem um pouco mais de qualidade na impressão, um notebook e uma câmera para utilizar em gravações de alguns depoimentos mais importantes, para posterior ser enviados ao Ministério Público. Ele informou que a câmera para os depoimentos ajudará muito, pois pode ser utilizada diretamente do local da ocorrência, devido muitas vezes haver dificuldade dos envolvidos em se deslocarem até a delegacia.

Também estão sendo adquiridos oito ar condicionados e assim, será possível climatizar todas as salas da delegacia, proporcionando um bem estar maior aos servidores e pessoas que lá procuram atendimento e, através do Consepro, foi adquirido um portão eletrônico para o estacionamento das viaturas. Ainda foi realizada a pintura externa do prédio da Delegacia, foram adquiridas dez portas internas para substituição das mesmas que foram danificadas com o temporal de granizo que aconteceu em 2007 e com essas conquistas, Rogério destaca a importância do bom relacionamento com o poder público e privado para conseguir conquistas melhorando cada vez mais no atendimento à sociedade.

Finalizando a conversa, ele fala sobre as expectativas para 2019, mais especificamente, quanto ao efetivo, informou que em breve um servidor estará se aposentando, mas há uma nova turma de policiais em formação que começou recentemente com previsão de conclusão em maio, portanto, espera-se que algum seja destinado a Santo Antônio, mas isso vai depender da estratégia da nova chefia de Polícia e no momento, não teria como afirmar se virá mais efetivo ou não, pois vários fatores são analisados ao distribuir os policiais, e um deles são os locais com mais crimes e que tem poucos servidores, mas independente disso, o trabalho continua normalmente e a Delegacia de Polícia está à disposição da comunidade, no horário de expediente das 08h30min às 12h e no turno da tarde das 13h30min até às 18h.
 

Por Alcides Machado

Fonte: Grupo Fronteira Missões