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Mês da Mulher: Vera Ferreira, santo-antoniense, mãe, socorrista, caridosa e tradicionalista
12 de março de 2019 às 10:55
Mês da Mulher: Vera Ferreira, santo-antoniense, mãe, socorrista, caridosa e tradicionalista
Santo-antoniense Vera Ferreira (Foto: Arquivo Pessoal)

Há 52 anos, nascia em Santo Antônio das Missões, Vera Lúcia Ferreira de Oliveira, a quarta filha do casal Lídia Lopes Ferreira e Alberto Valeriano Ferreira, o nego Betão (In memorian). Vera lembra a infância com grande carinho, as brincadeiras com os 7 irmãos no interior do município: – “Eu morava com a minha vó, mas sempre ia pra fora pra brincar com eles, passava as férias lá, eram momentos de muito proveito, brincávamos de carrinho, andar a cavalo, subir em árvore, tudo muito saudável e divertido”.

Aos 20 anos Vera casou com Cesar de Oliveira, com quem teve duas filhas, Janine, hoje com 29 anos que é professora e Karine, 25 anos, que se formou recentemente em enfermagem, motivos de muito orgulho para a mãe.

A vida profissional começou no antigo Hospital Santo Antônio, onde trabalhou por 20 anos como atendente de enfermagem, cursou o técnico e se aposentou no cargo durante a falência do hospital. Trabalhou também durante 5 anos em postos de saúde do município e atuou como conselheira tutelar por dois mandatos. Vera sonhava em cursar a faculdade, mas abriu mão em troca de oportunizar estudo para as filhas. Em 2013 passou na seleção do Samu, onde tem contrato até os dias atuais.

Com vontade de ajudar as pessoas, contribuir com a comunidade santo-antoniense e se doar a uma causa social, há 9 anos se aproximou do Lar da Criança, onde sempre esteve atuante na diretoria, estando há 4 anos no cargo de presidente, – “já pensei em parar, mas não tenho coragem, cada criança que chega a gente se apega, se sente um pouco mãe e cada vez que um sai a gente sente falta”, fala. Vera conta que a adaptação de algumas crianças é difícil, mas que com carinho, atenção e aconchego, tudo é superado, – “apesar dos problemas familiares que alguns enfrentam, sentem saudade dos seus, vontade de ir embora, o laço sanguíneo é uma coisa forte, mas com o amor que a gente doa, tudo ameniza”, diz convicta.

Vera diz que o que facilita o trabalho é a solidariedade da comunidade, que sempre participa e ajuda – “A responsabilidade é muito grande, cuidamos dos filhos dos outros, não podemos deixar faltar nada, tem dias que cansa, há incômodos mas é muito recompensador e recebemos muita ajuda”.

Nesses 9 anos são inúmeras as crianças que passaram pela instituição e ela conta que muitos que saem mantêm contato, – “nos mandam mensagens, contam que estão bem, agradecem os cuidados que receberam e nos dizem que os conselhos serviram, que estão no caminho do bem, porque a gente explica o que é certo, o que é errado e é uma honra saber que contribuímos com a vida deles”.

Após o falecimento do pai, tradicionalista popular na região a família enfrentou um dilema: a continuidade do Piquete dos Farrapos, entidade tradicionalista com 27 anos de fundação, – “era o sonho do pai, uma conquista fruto de muito trabalho, quando se aposentou, que pode se dedicar totalmente ao piquete trabalhou por 5 anos e faleceu. Nos reunimos entre os familiares e decidimos continuar, fui indicada como patroa, cargo em que atuo há 6 anos”, relata.

Nesses seis anos, Vera vem trabalhando muito juntamente com a diretoria, ampliaram o piquete, contam com grupos de danças mirim, juvenil e adulto, possuindo um departamento artístico, que participa do Cimiarte a nível regional e do Enart a nível estadual. – “O piquete para mim é minha segunda casa, onde me sinto bem, meu sonho e inspiração é para que um dia se torne um ponto turístico no município”. Vera aproveita a estrutura para promover o lado social – “Quando tem alguém doente a gente sede o espaço para realizarem risotos beneficentes, o piquete não tem fins lucrativos, os eventos que promovemos contribuem com a manutenção da entidade e a permanência dos grupos artísticos”.

Questionada sobre lazer, se sobra um tempo para ela ao conciliar a vida familiar, o Samu, o Lar da Criança e o Piquete, Vera responde animada – “É importante separar o trabalho da vida pessoal, cuido de mim, visito meus familiares, participo de festas, faço meu tempo, mas tudo isso só é possível porque recebo muito apoio do meu esposo e das minhas filhas, eles me dão suporte”. Sobre desanimar, se sentir cansada, ela diz: – “Isso nunca existiu comigo, nunca me deprimi, sou uma pessoa de muita fé, sempre peço ajuda para Deus, ele é meu ponto de força nos momentos difíceis, se tenho um problema paro, penso, não tomo decisões de cabeça quente”.

A reportagem deixou um espaço para a Vera deixar uma mensagem de Dia da Mulher e em meio a gargalhadas disse - “Uma mulher pode fazer várias coisas ao mesmo tempo, realmente, mas precisa ser uma pessoa bem resolvida, dedicada e o principal é ter vontade e apoio da família, tendo saúde e querendo, qualquer uma consegue, vocês acreditam que eu não tenho empregada? Tenho uma auxiliar que vai uma vez na semana limpar e lavar roupa e as vezes ela chega e eu já fiz tudo, risos, é preciso fazer o seu tempo”.

 

Por Eliara Cruz

Fonte: Grupo Fronteira Missões