Roger Portela fala sobre as condições da produção de arroz em Santo Antônio das Missões e região

Irregularidades climáticas no período desta safra devem diminuir o patamar de produtividade

08 de fevereiro de 2019 às 14:08
Roger Portela fala sobre as condições da produção de arroz em Santo Antônio das Missões e região
Situação que ficou algumas lavouras de arroz na Fronteira Oeste com os altos volumes de chuvas em janeiro (Foto: Roger Portela)

O técnico orizícola e chefe do 8º Núcleo de Assistência Técnica e Extensão Rural (Nate) do Instituto Rio Grandense do Arroz, Roger Portela, participou do programa Conversa Aberta desta sexta-feira, dia 08, na Rádio Fronteira Missões que falou sobre as condições das lavouras de arroz em Santo Antônio das Missões e na Fronteira Oeste.

Inicialmente ele explica que o município de Santo Antônio teve uma redução de área comparado ao ano passado e que isso vem acontecendo ano após ano, somente nesta última safra foi uma redução de 12% na área do município, mas a área cultivada da Fronteira Oeste se mantem.

Sobre os prejuízos considerando os altos volumes de chuvas no mês de janeiro, ele afirma que é em torno 15% de redução da produtividade na Fronteira Oeste, pois o municípios de São Borja, Itaqui, Alegrete e Uruguaiana tiveram muitas áreas e de grande porte atingidas por enchentes e por enxurradas.

Roger evidencia que esta safra era para ser de ano histórico na produtividade, porque as lavouras haviam sido preparados de forma excelente, plantio da época recomendada, até meados de novembro estavam com 96% da área semeada na Fronteira Oeste, estimavam pelos tratos culturais e pela época de semeadura uma excelente safra, porém com as chuvas torrenciais em janeiro que não são comuns, pegaram as lavouras no momento crítico, considerando que era o período reprodutivo e a falta da luminosidade atinge em cheio a produtividade.

Referente a pragas e doenças, o técnico explicou que nos últimos anos tiveram somente a necessidade de realizar manejos para percevejos e lagartas, que são comuns e de controles mais fáceis de serem realizados. Disse que no arroz, geralmente, se tem a doença brusone, que é demais difícil controle, porém nos últimos dois anos não houve um registro grande nas lavouras dessa doença fúngica.

Questionado se haveria algum índice esperado de produtividade, Roger disse que Santo Antônio das Missões já tem 10% da área colhida, mas o índice de produtividade ficou bem comprometido, porque as lavouras plantadas no cedo, ou seja, as que estão sendo colhidas agora, foram acometidas no seu momento reprodutivo pelos dias mais frios que fez em dezembro, e então está se visualizando algumas falhas e a produtividade não está como se esperava. Já as lavouras semeadas em outubro e novembro foram acometidas pelas intensas chuvas de janeiro, o que fica difícil projetar. Informou que o início da safra projetavam 8.100 kg de arroz por hectare, o que daria em torno de 162 sacos por hectare, mas acredita-se que esses índices irão mudar e infelizmente, poderão reduzir, porque estamos enfrentando um ano com irregularidades climáticas e essas intempéries estão causando prejuízos.

O técnico detalhou que ano após ano a área plantada de arroz no Estado do Rio Grande do Sul vem diminuindo, mas em contrapartida o patamar de produtividade aumenta e ponderou que o arroz hoje, é um dos alimentos mais baratos que se tem, porque você paga cerca de R$ 12,00 o pacote de 5kg e dá para várias refeições, mas acredita que acordos comerciais internacionais, como por exemplo, do Mercosul, são grandes prejudiciais a questão do preço do arroz, e também há uma ação do governo, talvez para manter os valores da cesta básica mais baixa, compromete muito, no entanto afirmou que a produtividade é um aliado do produtor, se tendo esse prejudicial no preço, porque da forma que está sendo conduzido o mercado do arroz, como por exemplo, nesta safra que se implantou a lavoura com dólar a R$ 4,15 e será colhida lavoura abaixo de R$ 3,70, porque se nós não estivessem colhendo esses altos índices de produtividade com certeza estaria bastante inviável produzir, levando em conta que o custo de produção do IRGA é de em torno de 170 sacos por hectare.

Roger comentou que uma reportagem divulgada pela Planeta Arroz, aponta que a cada três produtor de arroz do RS, um está em endividamento profundo e esclareceu que além deste fator, outro motivo de ajuda a diminuir o número de produtores de arroz em Santo Antônio das Missões, no seu ponto de vista é a questão cultural, pois sabe-se que está tendo anos favoráveis para o soja, então a maioria dos antigos arrozeiros que saíram da atividade já tinham a cultura do soja, ou seja, plantavam áreas de várzea de arroz e por questão de tecnologia, de comercialização da soja, por ser uma commodity, ter uma liquidez muito maior do que o arroz, o produtor aproveitou e migrou totalmente para o soja, mas claro que acontecem alguns  casos de produtores que se endividaram e saíram da atividade.

Ele ressaltou que outro ponto que causa um impacto muito grande em Santo Antônio e a falta de parceiros na questão, principalmente de comercialização e assistência técnica, pois os mais próximos são em São Luiz Gonzaga ou São Borja. Disse que também tem a questão de Santo Antônio ter perdido o escritório do IRGA que atendia os agricultores de forma mais aproximada e no momento que houve a opção do governo do Estado fechar o escritório no município e levar a São Borja, se absorveu uma área bem maior para atendimento e não se consegue dar atenção que em outros tempos foi possível proporcionar.

Santo Antônio das Missões tem uma área cultivada de 2.512 hectares de arroz, são em torno de 16 produtores na atividade.

 

Por Jéssica Ourique

Fonte: Grupo Fronteira Missões